Em Jaboatão, basta a Prefeitura começar uma obra em determinado lugar para aparecerem várias pessoas dizendo que foram as autoras do pedido.
É uma espécie de tradição, a disputa pela paternidade. De repente, aparece um vereador, um líder comunitário e, depois, até alguém que tenta vincular seu nome ao trabalho realizado, de olho em uma futura candidatura.
Até quando o pedido parte de um veículo de comunicação, como o nosso, por exemplo, aparece alguém ligado a um vereador para dizer que os serviços estão sendo realizados a pedido do seu parlamentar. Às vezes, o tal parlamentar sequer sabia da existência da obra e só tomou conhecimento após a publicação. Puro oportunismo.
Nos holofotes da vez estão o vereador Marlus Costa e a vereadora Rebecca Regnier, por causa dos serviços executados na importante Rua Jarangari, em Candeias. Ambos têm redutos eleitorais construídos no bairro, e ter o nome associado a uma obra desse porte faz bem às respectivas imagens.
Em sua rede social, Marlus foi categórico ao afirmar que mais uma solicitação sua tinha saído do papel. Rebecca, por outro lado, afirmou o mesmo. Disse que, no início deste ano, esteve no local cobrando e acompanhando. “Agora, finalmente, está saindo do papel”, afirmou a novata, que está em seu primeiro mandato, contrariando as afirmações do veterano Marlus, que se encontra em seu terceiro mandato.
Mas o que pesou mesmo foi a participação de Getúlio Belém. O presidente da Câmara enviou integrantes de sua equipe à localidade. Eles gravaram vídeos e apareceram nas redes sociais falando, em alto e bom som, que o recapeamento da Rua Jarangari foi uma solicitação de Rebecca a Guilherme Uchoa Júnior, que destinou uma emenda parlamentar para a Prefeitura executar as obras.
E a declaração tem peso. Getúlio é amigo pessoal de Uchoa Júnior e, na minha avaliação, a fala de sua equipe acabou engolindo as afirmações de Marlus. Tanto que, na publicação de Marlus, apareceram pessoas agradecendo o feito a Rebecca.
A disputa pela paternidade de obras continuará fazendo parte da política de Jaboatão. Mas, dessa vez, acredito que Marlus perdeu a “disputa”. A palavra do presidente pesou, e os créditos acabaram ficando com a vereadora.
27/08/2026 às 12:53 – Por Andros Silva
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