É incontestável que os “carnês Casas Bahia” fazem parte da rotina e do imaginário brasileiro há anos. Considerando esse fato, não é de se estranhar a surpresa social quando, no domingo, o grupo empresarial anunciou um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. Mas, o que isso significa para os trabalhadores?
A Casas Bahia, inaugurada há quase 70 anos, fechou 298 lojas e realizou cerca de 1.900 desligamentos em dois dias, segundo a imprensa. Aqui fala-se em trabalhadores que possuem desde meses de contrato, até os que estão na empresa há seus 20, 30 anos. Então surge a dúvida: essa notícia é sinônimo de perda de direitos? A resposta é que não.
Crises econômicas envolvendo grandes conglomerados empresariais acontecem por diversos cenários e contextos, mas isso não flexibiliza ou altera os direitos trabalhistas de seus funcionários, principalmente aqueles relacionados às verbas rescisórias: 13° salário, férias, FGTS e aviso prévio, por exemplo.
Nesse contexto, há um dever das forças sindicais, bem como da advocacia trabalhista, em alertar esses trabalhadores a não assinarem documentos que não entendem ou não concordam, não aceitarem acordos que não sejam estritamente acompanhados por um advogado de confiança e, por fim, não achar que devem abrir mão de seus direitos por conta de decisões e crises empresariais.
Quando o “calo aperta”, a conta não pode ser paga pelo trabalhador.

19/08/2026 às 11:51 – Por Isabella Lins, advogada trabalhista
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