O clima esquentou na Câmara de Vereadores do Recife. O vereador de oposição a João Campos, Eduardo Moura, do Partido Novo, quase trocou socos com o deputado estadual Romero Albuquerque, do PSB, que se diz amigo do ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo do Estado e o defende de forma “voluntária”, sem precisar ser convocado para isso.
Os ganchos para o bate-boca são vários. Afinal, ambos estão em lados opostos da política e, em ano eleitoral, tudo pode virar motivo para briga, como essa. Mas o estopim da vez foi algo sério, muito sério: o desdobramento de uma disputa que os dois já vinham travando nas redes sociais, sempre ele, o bendito Instagram, lugar de egos inflados e discórdias.
A bronca envolve o caso do menino Benjamin, de 8 anos, que morreu com suspeita de meningite bacteriana no Recife. Moura criticou o fato de a família ter levado o garoto para o recém-inaugurado Hospital da Criança, unidade municipal que não atendeu o caso por não possuir serviço de emergência. Aqui, uma pausa para lamentar a morte do pequeno. Que Deus conforte a família.
Explicações parcialmente feitas, gostaríamos de abordar o fato de Romero, que é deputado estadual, chegar até a tribuna da Câmara com tanta facilidade e peitar o vereador dentro da sua própria casa legislativa, seu local de trabalho.
De acordo com o Blog de Jamildo, o vereador Zé Neto, presidente em exercício, que também é do PSB, pediu desculpas a Eduardo e classificou a situação como “inadmissível”, afirmando que a instituição adotará providências. E tem que adotar mesmo.
Caberia aí até notas de repúdio por parte de vereadores de outras casas legislativas. Por esses dias, vimos vereadores emitindo notas de repúdio por declarações do deputado federal Amom Mandel, que defende a extinção do cargo de vereador no Brasil. Não caberia também repudiar um deputado que afronta um vereador na tribuna da Câmara Municipal?
Romero, que não deveria estar em um espaço reservado aos vereadores, a tribuna, onde até jornalistas e cidadãos comuns precisam seguir procedimentos para acessar, poderia, no mínimo, responder na tribuna da Alepe ou em suas redes sociais, mas nunca chegar para cantar de galo neste local sagrado para os parlamentares municipais.
O deputado já se envolveu em outras polêmicas. Em um episódio anterior, agrediu um homem com um tapa no rosto após uma situação envolvendo maus-tratos a um animal. Acusou de covardia, mas respondeu com outra.
Romero, na Câmara de Vereadores, causou tanta confusão que acabou gerando até erro de interpretação. O declarado comunista e pré-candidato a deputado federal Jones Manoel, ao comentar o caso nas redes, chegou a se referir a ele como vereador.
No mais, ambos registraram boletins de ocorrência. E tudo indica que cenas como essas devem aparecer com mais frequência à medida que outubro se aproxima. Vou ficando por aqui e, fica o nosso repúdio por essas cenas tristes, medíocres, que poderia inclusive ter sido evitadas, caso cada qual ficasse no seu quadrado, não é Romero?
15/04/2026 às 08:05 – Por Andros Silva
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