Trump avalia-se tão bem como presidente que se ama e se considera perfeito. Vaidade à parte, diz-se possuído de tal afeição pelos EUA que lamenta a exiguidade do tempo em dois mandados para construir maior grandeza da pátria. Já fala em presidir pela terceira vez, contrariando a proibição constitucional de mais que dois governos.
Assemelha-se aos governantes da Rússia e da Venezuela com as democracias ressignificadas em desrespeito às eleições livres e à periodicidade no exercício do poder. Entre as promessas da campanha eleitoral, Trump afirmou o compromisso de aumentar o espaço territorial estadunidense, subjugando à incidência da soberania americana, o Canadá, a Groenlândia, o Golfo do México, o Canal do Panamá, entre outros pedaços de territórios como o da faixa de Gaza que pode incorporar, mediante, condições negociadas fraudulentamente, sem pretender cumprir. Também ambiciona apropriar-se de minérios ucranianos para reembolso das doações que recebeu de Bidem durante a guerra contra a Rússia.
Alavancado pelo radicalismo nacional e internacional de direita, Trump administra como se fosse o gestor isolado da maior economia do mundo. Altera os preços de importação e exportação de produtos sem consultar os parceiros comerciais, pouco importando os desequilíbrios resultantes. Esquecem, o nobre presidente e seus aficionados (parecidos com torcedores fanáticos de futebol), que o feitiço vira, vez por outra, sobre o feiticeiro.
Os sábios e precavidos resistem, barulhentos ou silenciosos, unidos no esforço e na esperança da virada. O coração piedoso de Trump bate ruinoso sob o peito direito, de forma que mesmo procurado, ninguém o acha. Sente uma compulsão irresistível de ajudar os mais fracos e despojá-los dos seus haveres depois.
Tadinha da Groenlândia, tão rica e desprotegida. Precisa aliviar-se do peso entesourado no ventre de seu território. Para quê tanto petróleo, tanto urânio, tanto mineral raro? Deixe tudo por conta do presidente americano, que ele cuida. E se os recursos explorados se exaurirem? Organiza-se o exército groenlandês
(vejam só que extremada mentira) que invade os EUA de forma irresistível.
Com sua força bélica, prova que tamanho não é documento e derrota o inimigo como o pequeno Davi venceu o gigante Golias. É tudo bíblico, acredite.

José de Siqueira Silva é Coronel da reserva da PMPE
Mestre em Direito pela UFPE e Professor de Direito Penal
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04/04/2025 às 15:39