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O Afeganistão, O Talibã, e os Direitos Humanos

Misturar radicalismo político e extremismo religioso é uma composição explosiva. Não dá certo por melhores que sejam as intenções, a exemplo de intensificar o intercâmbio entre o que se supõem as virtudes terrenas e os comportamentos recomendados presumidamente pela autoridade divina, governante do céu e da terra.

A cultura terrestre, com a qual convivemos, pouco dela conhecemos porque nossa ignorância é maior do que nosso saber. Imaginem nosso conhecimento sobre a cultura do paraíso, onde nunca tivemos. Só os Ulemás, os iluminados, estimam que sabem tudo de lá.

O Talibã, movimento fundamentalista islâmico, organizado em 1994, governa como enviado divino, supondo-se representante de Alá, obediente a Alá, deus intimista e severo que proíbe até as liberdades mais naturais do ser humano, consideradas inocentes e direitos da humanidade pelo simples motivo de ser humanidade, homens e mulheres nascidos livres e iguais.

“Misturar radicalismo político e extremismo religioso é uma composição explosiva”

No Afeganistão, mulheres são tolhidas em suas virtudes, proibidas de mostrar o rosto em público, cuja beleza Alá teria feito para ser ocultada, ignorada. E não podem estudar, para que sua inteligência também obra de Alá, não se revele ao mundo com as mesmas potencialidades criadoras e cognitivas do outro sexo. A educação no mundo ocidental é direito fundamental de todos, garantido nas constituições e nos tratados internacionais.

Os afegãos não podem sair do país, mudar de religião, recusar-se a lutar por ideais que não sejam os seus, discordar da ideologia do Talibã. Não têm, atualmente, direito a serem julgados pela justiça. Recentemente cinco suspeitos de crime de furto foram enforcados sumariamente, em praça pública, sem processo, sem amplitude de defesa, sem contraditório, sem chance de recurso. E se forem inocentes? Após enforcamento sumário não há como ressuscitá-los. O erro da condenação é irremediável.

Hoje, no Afeganistão, o regramento das proibições é tão minudente que todos os homens têm que ter barba. – Talvez para serem prudentes, colocá-la de molho quando a do vizinho for incendiada.

José de Siqueira Silva é Coronel da reserva da PMPE
Mestre em Direito pela UFPE e Professor de Direito Penal
da FOCCA

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11/10/2021 às 09:25

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